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Mato Grosso: Sociedades, Relações de Poder e Culturas

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Entender a história de Mato Grosso é fundamental para enxergar além do que costuma ser contado nos livros e nas aulas tradicionais. Quando a gente aprofunda a pesquisa, percebe que muito do que aconteceu por aqui está ligado a processos de expulsão dos povos indígenas, que sempre viveram nessas terras. Infelizmente, essas histórias são marcadas por conflitos e injustiças, onde o avanço do chamado "progresso" acabou deixando muita gente para trás, tirando comunidades inteiras dos seus territórios e colocando em risco a sobrevivência de costumes, línguas e modos de vida que são parte do nosso verdadeiro patrimônio.

 

Pensar sobre isso faz a gente refletir sobre como as políticas do Estado, principalmente a partir do final do século XIX, e durante todo o século XX e XXI, ajudaram a transformar Mato Grosso. Projetos de colonização, construção de rodovias e incentivo ao agronegócio mudaram não só a paisagem local, mas também a forma como as pessoas vivem, normalmente privilegiando grandes propriedades e a exploração desenfreada dos recursos naturais, quase sempre em detrimento das comunidades indígenas.

 

É por isso que discutir esses temas numa disciplina de extensão é tão importante. Não só contribui para preparar professores mais conscientes e críticos, como também faz a universidade sair do seu espaço fechado e dialogar com diferentes realidades e saberes. Essa troca permite que o conhecimento seja compartilhado com as pessoas fora da academia, incentivando debates que realmente podem transformar a sociedade. No fim, estudar a história de Mato Grosso desse jeito é valorizar as lutas de quem esteve e está nesse território, entender as raízes dos conflitos atuais e buscar caminhos mais justos para todo mundo que vive aqui.

2025/1

A turma de 2025/1 construiu o projeto de curta documentário "Territórios" com o objetivo de produzir um material audiovisual que possa sensibilizar os(as) estudantes da educação básica sobre outras formas de se viver e se relacionar com o território de Mato Grosso, para além da lógica do capital e do agronegócio. Sob esse prisma, compreende-se que há diferentes formas de se produzir e compartilhar conhecimento, ultrapassando a lógica apenas de escrita de textos acadêmicos ou de materiais didáticos estruturados.

 

Para atingir esse objetivo, diferentes processos formativos foram mobilizados. Do processo de pesquisa em arquivos especializados, no Núcleo de Documentação Histórica Otávio Canavarros, até a realização de oficinas de leituras cinematográficas e edição, a disciplina extensionista de Mato Grosso, do curso de História da UFR, foi organizada de maneira colaborativa, buscando evidenciar o protagonismo estudantil em todas as suas etapas. 

Ao final, os(as) estudantes construíram um acervo de quase quatro horas de materiais brutos, fruto de entrevistas concedidas por professores especialistas em diferentes áreas de conhecimento, formação com lideranças indígenas e de movimentos sociais pela terra. Participaram de atividades extensionistas em assentamentos, aulas de campo em arquivos e museus, além de uma "viagem" pela rota da ancestralidade em Cuiabá. É claro que todos tudo isso não caberia em menos de 15 minutos de um curta documentário, mas com certeza o processo percorrido marca a formação daqueles(as) que daqui pouco tempo serão professores(as) de História.

Projeto de pesquisa "CoNexos: TDICs em tempos pós ensino remoto emergencial", apoiado pelo FAPEMAT/CNPq 001/2022 Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil

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